Análise do 2º Seminário ANEEL de Regulação Econômica e Direito | CORTE DE GERAÇÃO (CURTAILMENT)

ANÁLISE REGULATÓRIA · 2026
CORTE DE GERAÇÃO (CURTAILMENT)
O Brasil corta energia limpa.
O risco vai para o seu contrato.
Em 2025, cerca de 20% do potencial de geração solar e eólica do país foi cortado antes de chegar à rede. O entrave não é técnico — é quem paga. E, enquanto essa conta não tem dono, o risco entra na precificação de cada contrato novo de energia.
● Partner Energy · Análise do 2º Seminário ANEEL    ● Dados: ONS, ANEEL, Volt Robotics    ● Julho de 2026

GERAÇÃO CORTADA (2025)
~20%
Do potencial solar e eólico do país, cortado antes de chegar à rede

PERDAS ECONÔMICAS (2025)
R$ 6,5 bi
Estimativa da Volt Robotics para o ano de 2025

DESPERDÍCIO EM JAN/26
2,86 TWh
Em um único mês — quase 4x o volume de janeiro/25 (ONS)

SUSPENSÃO ANEEL
90 dias
Ressarcimentos de eólicas e solares suspensos em jan/26

O QUE ESTÁ ACONTECENDO

Sobra energia limpa. Falta rede para escoar.

Curtailment é quando usinas prontas para gerar recebem ordem de desligar — a energia existe, mas o sistema não consegue absorvê-la ou escoá-la. Em 2025, cerca de 20% do potencial de geração solar e eólica do país foi cortado antes de chegar à rede, com perdas econômicas próximas de R$ 6,5 bilhões, segundo a Volt Robotics. Em janeiro de 2026, o desperdício chegou a 2,86 TWh em um único mês — quase quatro vezes o volume de janeiro de 2025.

Energia desperdiçada em janeiro — comparativo
Volume mensal cortado · Fonte: ONS
Janeiro/2025 (base)1x
Janeiro/20262,86 TWh · quase 4x

PONTO CRÍTICO
A Lei 15.269/2025 reconheceu o curtailment como problema sistêmico, mas vetou os dispositivos que garantiriam ressarcimento amplo aos geradores afetados. Em janeiro de 2026, a ANEEL suspendeu por 90 dias os ressarcimentos que usinas eólicas e fotovoltaicas deveriam pagar a consumidores regulados, enquanto a judicialização avança. Na prática, a definição de quem paga vem sendo empurrada para o próximo ciclo regulatório.

ONDE O RISCO É MAIOR

Três regiões concentram o problema.

O mapeamento do ONS aponta o Nordeste, o Norte de Minas e o Sul como as regiões mais afetadas pelos cortes. Para quem contrata energia de usinas nessas áreas, a restrição recorrente de rede deixou de ser um detalhe operacional — virou variável de preço.

⚠ NORDESTE
Cortes recorrentes
Restrição de rede recorrente, com impacto direto na bancabilidade dos projetos renováveis da região.

⚠ NORTE DE MINAS
Escoamento restrito
Projeções de geração comprometidas pela restrição recorrente de escoamento da energia produzida.

⚠ SUL
Previsibilidade menor
Cortes recorrentes que reduzem a previsibilidade dos contratos de longo prazo firmados na região.

O QUE ISSO SIGNIFICA PARA QUEM CONTRATA

O risco sem dono já entra no preço.

No Ambiente de Contratação Livre, essa indefinição aparece na negociação de cada contrato novo — e de três formas principais:

1 · PRÊMIO DE RISCO
Fontes renováveis passam a embutir prêmio mais alto para cobrir o risco de não entrega por corte de geração.

2 · BANCABILIDADE
Projeções de geração para Nordeste, Norte de Minas e Sul perdem força na análise de crédito e de viabilidade dos projetos.

3 · PREVISIBILIDADE
Contratos de longo prazo perderam parte da previsibilidade nas regiões de curtailment recorrente.

CONCLUSÃO ESTRATÉGICA
Contratos com usinas em regiões de alta restrição de rede devem trazer cláusula explícita de alocação do risco de não entrega por corte de geração. Sem regulação estável sobre ressarcimento, essa cláusula deixou de ser detalhe contratual e passou a ser item central de negociação.

Seu contrato está protegido contra o risco de curtailment?
Nossa equipe revisa a alocação de risco dos seus contratos e a exposição do seu portfólio às regiões de restrição de rede.

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